sobre a profissão de obstetriz e evidências científicas na assistência ao parto.
6 de ago. de 2009
23 de jul. de 2009
Recomendações da Organização Mundial de Saúde para o atendimento ao parto Normal, 1996
- Plano individual determinando onde e por quem o nascimento será realizado, feito em conjunto com a mulher durante a gestação e comunicado a seu marido/companheiro e, se aplicável, a sua família;
- Avaliação do risco gestacional durante o pré-natal, reavaliado a cada contato com o sistema de saúde, no momento do primeiro contato com o prestador de serviços durante o trabalho de parto, e ao longo do trabalho de parto;
- Monitoramento do bem-estar físico e emocional da mulher durante trabalho de parto e ao término do processo de nascimento;
- Oferta de líquidos por via oral durante o trabalho de parto e parto;
- Respeito à escolha da mãe sobre o local do parto, após ter recebido informações;
- Fornecimento de assistência obstétrica no nível mais periférico, onde o parto for viável e seguro, e onde a mulher se sentir segura e confiante;
- Respeito ao direito da mulher à privacidade no local do parto;
- Apoio empático pelos prestadores de serviço durante o trabalho de parto e parto;
- Respeito à escolha da mulher sobre seus acompanhantes durante o trabalho de parto e parto;
- Fornecimento, às mulheres, de todas as informações e explicações que desejarem;
- Métodos não invasivos e não farmacológicos de alívio da dor, como massagem e técnicas de relaxamento, durante o trabalho de parto;
- Monitoramento fetal por meio de ausculta intermitente;
- Uso de materiais descartáveis apenas uma vez e descontaminação adequada de materiais reutilizáveis, durante todo o trabalho de parto e parto;
- Uso de luvas no exame vaginal, durante o parto do bebê e no manuseio da placenta;
- Liberdade de posição e movimento durante o trabalho de parto;
- Estímulo a posições não-supinas durante o trabalho de parto;
- Monitoramento cuidadoso do progresso do parto, por exemplo, por meio do uso do partograma da OMS;
- Administração profilática de ocitocina no terceiro estágio do parto em mulheres com risco de hemorragia no pós-parto, ou que corram perigo em conseqüência da perda de até uma pequena quantidade de sangue;
- Condições estéreis ao cortar o cordão;
- Prevenção da hipotermia do bebê;
- Contato cutâneo direto precoce entre mãe e filho e apoio ao início da amamentação na primeira hora após o parto, segundo as diretrizes da OMS sobre aleitamento materno;
Exame rotineiro da placenta e membranas ovulares;
Categoria B - Práticas claramente prejudiciais ou ineficazes e que devem ser eliminadas:
- Uso rotineiro de enema;
- Uso rotineiro de tricotomia;
- Infusão intravenosa de rotina no trabalho de parto;
- Cateterização venosa profilática de rotina;
- Uso rotineiro de posição supina (decúbito dorsal) durante o trabalho de parto;
- Exame retal;
- Uso de pelvimetria por Raios-X;
- Administração de ocitócitos em qualquer momento antes do parto, de um modo que não permita controlar seus efeitos;
- Uso de rotina da posição de litotomia, com ou sem estribos, durante o trabalho de parto;
- Esforço de puxo prolongados e dirigidos (manobra de Valsalva) durante o 2º estágio do trabalho de parto;
- Massagem e distensão do períneo durante o 2º estágio do trabalho de parto;
- Uso de comprimidos orais de ergometrina no 3º estágio do trabalho de parto, com o objetivo de evitar ou controlar hemorragias;
- Uso rotineiro de ergometrina parenteral no 3º estágio do trabalho de parto;
- Lavagem uterina rotineira após o parto;
- Revisão uterina (exploração manual) rotineira após o parto;
Categoria C - Práticas em relação às quais não existem evidências suficientes para apoiar uma recomendação clara e que devem ser utilizadas com cautela até que mais pesquisas esclareçam a questão:
- Métodos não farmacológicos de alívio de dor durante o trabalho parto de, como ervas, imersão em águas e estimulação dos nervos;
- Amniotomia precoce de rotina no primeiro estágio do trabalho de parto;
- Pressão do fundo durante o trabalho de parto;
- Manobras relacionadas à proteção do períneo e ao manejo do pólo cefálico no momento do parto;
- Manipulação ativa do feto no momento do parto;
- Uso rotineiro de ocitocina de rotina, tração controlada do cordão, ou sua combinação durante o 3º estágio do trabalho de parto;
- Clampeamento precoce do cordão umbilical;
- Estimulação do mamilo para estimular as contratilidades uterinas durante o 3º estágio do trabalho de parto.
Categoria D - Práticas frequentemente usadas de modo inadequado:
- Restrição hídrica e alimentar durante o trabalho de parto;Controle da dor por agentes sistêmicos;
- Controle da dor por analgesia peridural;
- Monitoramento eletrônico fetal;
- Uso de máscaras e aventais estéreis durante a assistência ao trabalho de parto;
- Exames vaginais repetidos ou freqüentes, especialmente por mais de um prestador de serviço;
- Correção da dinâmica com utilização de ocitocina;
- Transferência rotineira da parturiente para outra sala, no início do segundo estágio do trabalho de parto;
- Cateterização da bexiga;
- Estímulo para o puxo quando se diagnostica dilatação cervical completa, ou quase completa, antes que a mulher sinta o puxo involuntário;
- Adesão rígida a uma duração estipulada do 2º estágio do trabalho de parto, uma hora antes, por exemplo, se as condições da mãe e do feto forem boas, e se houver progressão do trabalho de parto;
- Parto operatório;
- Uso liberal e rotineiro de episiotomia;
- Exploração manual do útero após o parto.
14 de jul. de 2009
Curso de Obstetrícia da USP
Depois de 33 anos de extinção, o curso superior de obstetrícia foi reaberto em 2005 pela Universidade de São Paulo (USP). A carreira é direcionada especificamente para a formação de obstetrizes - ou parteiras, como são popularmente conhecidas.
De acordo com a professora Lúcia Cristina Florentino Pereira da Silva, vice-coordenadora do curso de obstetrícia da USP e enfermeira obstetra, o curso é voltado especificamente para o atendimento à mulher gestante, para que ela receba o acompanhamento adequado durante toda a gravidez, parto, e até 40 dias após o parto.
Professora Lúcia fazendo um parto normal, acompanhada de duas alunas em um centro obstétrico tradicional. (Foto: Arquivo Pessoal)
"Um dos nossos objetivos é fazer com que as mães tenham uma gravidez saudável. Queremos incentivar o parto normal e temos capacidade para lidar com bebês prematuros e gestantes de alta complexidade", disse a professora, que afirmou que as obstetrizes não se incomodam de serem chamadas de "parteiras".
De acordo com ela, a obstetriz (ou parteira) tem toda condição de acompanhar o pré-natal da gestante, desde que tudo corra dentro da normalidade. "Se detectarmos algum problema na gestação, encaminhamos a paciente para o médico, já que a nossa função não é tratar doenças", explicou a professora.
Lúcia explicou que embora o curso de obstetrícia seja da área de saúde, ele é voltado para as disciplinas de humanas, para que os profissionais tenham um "olhar psicológico das mulheres gestantes, aprendendo a respeitá-la naquilo que ela precisa". O curso tem aulas de anatomia, fisiologia, fundamentos da obstetrícia, mas também enfoca a psicologia.